quinta-feira, 14 de julho de 2011

O Rei sem ofício


Era uma vez um rei que havia esquecido o velho conselho dos sábios, segundo o qual quem nasce na comodidade e no conforto precisa fazer um esforço pessoal maior do que os outros. Mesmo assim era um rei justo e popular.
Um dia, quando viajava para visitar uma de suas terras mais distantes, uma tempestade desabou e separou o seu barco de sua escolta. A tempestade serenou depois de sete dias de fúria. o barco havia afundado e os únicos sobreviventes do naufrágio foram o rei e sua pequena filha, pois eles de algum modo, haviam conseguido subir numa balsa.
Depois de muitas horas, a balsa foi jogada numa praia de um país totalmente desconhecido para os viajantes. Inicilamente foram recolhidos por pescadores que cuidaram deles e que depois de algum tempo disseram:
"Somos muito pobres e não podemos continuar a mantê-los. Se caminharem para o interior, quem sabe poderão encontrar os meios para ganhar a vida."
Agradecendo aos pescadores e sentindo pesar por não poder conviver com eles, o rei começou a vagar pela região. Ele e a princesa foram de aldeia em aldeia, de povoado em povoado, buscando comida e ajuda. Não aparentavam ser melhores do que mendigos e assim eram tratados.
Às vezes conseguiam alguns pedaços de pão, outras vezes palha seca para dormir.

Cada vez que o rei procurava melhorar a sua situação, pedindo trabalho,perguntavam-no:

"O que você sabe fazer?"

O rei então se dava conta de que não era capaz de realizar as tarefas exigidas, e retomava seu caminho.


Em todo o país existiam poucas oportunidades de tarefas manuais, pois havia muitos trabalhadores especializados. À medida que iam de um lugar para outro, o rei se dava conta de que ser rei sem país era uma condição inútil. Ele refletia cada vez mais sobre o provérbio dos anciões, que dizia:

"Só pode ser considerado seu aquilo que puder sobreviver a um naufrágio."

Depois de três anos nessa existência miserável e sem futuro, ambos se encontravam pela primeira vez numa fazenda cujo proprietário estava procurando alguém para que cuidasse de suas ovelhas.
Ele viu o rei e a princesa e lhes perguntou:

"Sabem cuidar de ovelhas?"

"Não", Respondeu o rei.

"Você é honesto e por isso darei a você uma oportunidade de ganhar a vida". Disse o fazendeiro.
O fazendeiro os enviou ao campo com algumas ovelhas, logo aprenderam que tudo o que precisavam fazer era protegê-las dos lobos e cuidar para que não se perdessem.

Uma cabana lhes foi dada, e conforme os anos foram passando, orei recuperou algo de sua dignidade, embora não tenha recuperado a sua felicidade. A princesa se transformou numa jovem bela como uma fada. Como ganhavam apenas o necessário para viver, não podiam planejar ainda o retorno ao seu país.

Um dia, quando havia saido para caçar, o sultão daquele país viu a moça e enamorou-se dela. Então enviou um representante ao pai da jovem, para pedi-la em casamento.
"Ó camponês", disse o mensageiro, "o sultão, meu amo e senhor, pede a mão de sua filha em casamento."
"E o que ele sabe fazer?, qual é o seu ofício e como ele pode ganhar a vida?" - perguntou o ex rei.
"Idiota! Vocês camponeses são todos iguais", gritou o mensageiro. Você não entende que um rei não precisa ter ofício, pois sua habilidade consiste em conduzir reinos, e que você foi eleito para uma honra que ordinariamente estaria muito além de qualquer esperança possível para as pessoas comuns?"
"Tudo o que sei", disse o rei pastor, "é que a menos que o seu amo, sendo sultão ou não, possa ganhar a vida, não será marido para minha filha. Eu sei uma ou duas coisas a respeito do valor das habilidades."
O mensageiro regressou e contou ao seu amo o que o estúpido camponês havia dito, acrescentando:

"Não devemos nos preocupar com pessoas como essa gente, senhor, porque elas não sabem nada sobre as ocupações dos reis".
Mesmo assim, uma vez recobrado de sua surpresa, o sultão disse:
"Estou loucamente apaixonado pela filha desse pastor e por isso devo estar preparado par fazer qualquer coisa que seu pai ordene, a fim de casar-me com ela."

Deixou o império nas mãos de um regente e foi ser aprendiz de um tecelão de tapetes. depois de quase um ano já dominava a arte de fazer tapetes. Com alguns de seus próprios trabalhos foi até a cabana do rei-pastor. Apresentou-se diante dele dizendo:
"Sou o sultão desse país e desejo casar-me com sua filha, se ela me aceitar.Tendo recebido a mensagem, de que você requer de um futuro genro habilidades úteis, estudei tecelagem, estes são alguns exemplos do meu trabalho."
"Quanto tempo você levou para fazer este tapete?"
"Três semanas"
"Quando o vender, quanto tempo você poderá viver com o que obtiver?"
"Três meses"
"Você pode se casar com minha filha, se ela quiser aceitá-lo"
O sultão ficou encantado e feliz quando a princesa consentiu em casar-se com ele.

"Seu pai, mesmo sendo um camponês, é um homem sábio e sagaz."
"Um camponês pode ser tão inteligente quanto um sultão, mas um rei, se teve as experiências necessárias, pode ser tão sábio como o camponês mais sagaz."

O sultão e a princesa se casaram com todo o esplendor. O rei-pastor, com a ajuda de seu genro, regressou ao seu país, onde ficou conhecido para sempre como um monarca bom e inteligente, que nunca se cansou de alertar a todos e a cada um de seus súditos para que aprendessem um ofício útil.


Histórias da Tradição Sufi

quinta-feira, 7 de julho de 2011

A ÁRVORE E O AMOR


Uma árvore, imponente e magestosa tinha os seus galhos estendidos na direção do céu. Quando estava repleta de flores, as borboletas vinham em número quase infinito e dançavam em seu redor. Quando tinha frutos, pássaros vinham de longe e cantavam alegremente pousados em seus galhos. Seus galhos davam sempre sombra àqueles que se chegavam e sentavam debaixo dela, recebendo dela uma benção.

Um menino costumava brincar embaixo dela e a árvore criou uma grande afeição por ele. Com amor, a árvore curvava os seus galhos para que o menino pudesse colher os seus frutos. Ela ficava muito feliz em dar algo de si e todo o seu ser se preenchia de alegria e amor quando isso acontecia.

O menino foi crescendo e algumas vezes dormia junto à árvore, comia seus frutos ou fazia coroas de flores com as quais brincava de rei. O menino cresceu mais ainda e passou a subir nos galhos da árvore e se balançava neles. A árvore sempre se sentia muito feliz.

O tempo passou e o menino ficou ocupado com deveres e obrigações. Cresceu a sua ambição e tinha muitos amigos com quem ia passear e conversar. Por isso não ia mais ver a árvore. Mas ela sempre esperava por ele e chamava do fundo de sua alma: "Venha, estou esperando por você!".

Conforme ia crescendo, o menino vinha cada vez menos visitar a árvore.

Um dia, quando o menino estava passando, a árvore lhe disse: "Eu o espero todos os dias mas você não vem".

O menino, que tinha se transformado em um rapaz, disse: "O que você tem? Por que eu deveria vir? Estou a procura de dinheiro, você tem?"

A árvore ficou triste com aquilo e disse: "Só se eu lhe der algo você virá?" e disse mais: "Nós árvores não temos necessidade de dinheiro como vocês homens. Vocês tem de ir a templos para obter paz, para aprender a encontrar o amor. Flores e frutos crescem em nós, damos sombra, dançamos com a brisa e cantamos canções. Pássaros pousam em nossos galhos e cantam, mesmo que não tenhamos dinheiro."

O rapaz disse: "Então, porque devo vir até você? Preciso de dinheiro!"

A árvore pensou e disse: "Espere! Colha meus frutos e venda-os. Assim você terá dinheiro!"

O rapaz ficou radiante e subiu na árvore e colheu todos os frutos, mesmo os que estavam verdes. A árvore ficou feliz, mesmo com brotos e galhos quebrados e muitas folhas caídas ao chão. E ela nem notou que o rapaz foi embora nem ao menos olhou para trás para agradecê-la.

O rapaz não voltou por um longo tempo. Ganhou dinheiro e se preocupava em aumentar mais e mais a sua riqueza. Esqueceu-se completamente da árvore.

Os anos se passaram. A árvore ficou triste e ansiava pela volta do rapaz, como uma mãe que espera pelo filho.

O rapaz, após muitos anos e já adulto, foi até a árvore. "Venha, abrace-me!" disse a árvore. O homem então disse: "Pare com isso! É sentimentalismo de infância! Não sou mais criança!"

A árvore insistiu: "Venha! Brinque comigo, balance em meus galhos, dance!"

"Pare com essa conversa inútil! Eu preciso construir uma casa. Você pode me dar uma casa?" disse o homem.

A árvore respondeu: "Eu não tenho uma casa. Só os homens vivem em casas. Mas você pode cortar e levar os meus galhos, assim poderá construir sua casa."

Quase que imediatamente o homem conseguiu um machado e cortou todos os galhos da árvore. Agora, ela era apenas um tronco. O homem nem se preocupou em agradecer e foi construir sua casa.

Os anos se passaram. A árvore esperou. Queria chamar por ele mas sem galhos ou folhas isso não era possível. O vento soprava, mas ela não conseguia enviar nenhuma mensagem. Só em sua alma ressoava uma prece: "Venha querido, venha!"

O homem tornou-se velho. Certa vez ele parou ao lado da árvore. Ela perguntou: "Que mais posso fazer por você? Já faz tanto tempo que você não vem!"

O velho disse: "Quero viajar e preciso de um barco." A árvore disse alegremente: "Corte o meu tronco e faça um barco com ele. Ficarei muito feliz em ajudá-lo. Mas lembre-se que estarei sempre aqui lhe esperando."

O velho cortou o tronco e fez um barco. Com ele navegou para longe. Agora a árvore era um pequeno toco. Ela esperou pelo retorno do velho e isso nunca aconteceu.

Uma noite ela desabafou e disse para quem pudesse escutar: "O meu amigo não voltou. Estou preocupada. Ele pode ter naufragado ou se perdido. Pode ser que nem esteja vivo. Minha vida está próxima do fim e eu gostaria de ter notícias dele. Sei que ele não virá, mesmo que eu consiga chamá-lo. Nada me restou para dar e ele só entende a linguagem do receber."

quinta-feira, 30 de junho de 2011

O REI FALOU COMIGO



O REI FALOU COMIGO

Nasrudin retornou da capital imperial, os cidadãos do vilarejo juntaram-se a sua volta para ouvir o que tinha a dizer.

"Serei breve", disse o Mullá, "e concentrarei minhas observações sobre o ensejo na simples afirmação de que o meu maior momento foi quando o rei falou comigo."

Estupefatos diante de tal prodígio e inebriados pelos reflexos de tamanha glória, a maior parte dos cidadãos debandou e pôs-se a caminho, discutindo aquele maravilhoso acontecimento.

No entanto, o menos sofisticado de todos aqueles camponeses permaneceu por ali, e perguntou: "E o que disse Sua Majestade?"

"Estava do lado de fora do palácio, quando ele apareceu e falou comigo, em alto e bom som, para quem quisesse ouvir: 'Saia do meu caminho!'"

O simplório camponês deu-se por satisfeito. Agora, tinha escutado, com seus próprios ouvidos, as palavras que, de fato, foram proferidas por um rei.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

SER IMPARCIAL, AINDA É SEMPRE A MELHOR COISA. APRENDER A OUVIR SEMPRE.

Existem momentos na vida da gente que apesar de todo conhecimento religioso que temos e seja ele qualquer um que tenha como base o cristianismo somos cruéis , e não é raro nos envolvemos em situações que nos fazem cair Ex: aprendemos que não devemos em nem uma hipótese julgar quem quer que seja, pois não temos essa autoridade, ninguém nos deu . Mas fazemos isso com muita freqüência em muitos momentos de nossa caminhada, basta ter como um dos lados envolvidos na historia pessoas que, gostamos e pronto, é o suficiente para ter a certeza de que não existe outra verdade alem da que já conhecemos e nos colocamos como juízes impiedosos e num julgamento frio e cruel totalmente tendencioso condenamos a outra parte sem nem pensar em nos dar a oportunidade de tentar conhecer um outro lado de uma mesma historia.

É exatamente aí que o mal está se dando bem, e jamais saberíamos distinguir o bem e o mal o certo do errado se Deus através de seus mistérios não desse as oportunidades de fazer esses encontros entre as partes os dois lados de uma historia nos mostrando que a verdade não é uma, ou que ela existe pela metade.

Aprendi que por mais confiança que você tenha em um lado da história que lhe foi contada, terá sempre uma outra versão, e mesmo que ache que não, sempre vale apena conferir.

A VERDADA NÃO É MINHA E ELA NÃO SERÁ SEMPRE ÚNICA.

ENERGIA EM AÇÃO E DEUS NO CORAÇÃO E NAS AÇÕES.

EDILZA LEANNDRO.

domingo, 12 de junho de 2011

Amor e a porta do coração


Não adianta pedir explicações sobre Deus; você pode escutar palavras muito bonitas, mas, no fundo, são palavras vazias. Da mesma maneira que você pode ler toda uma enciclopédia sobre o amor, e não saber o que é amar.

Diz o mestre:

“Ninguém vai conseguir provar que Deus existe ou que não existe”.

Certas coisas na vida foram feitas para serem experimentadas – nunca explicadas.

O amor é uma destas coisas. Deus – que é amor – também é.

A fé é uma experiência infantil, naquele sentido mágico que Jesus nos ensinou: “é das crianças o Reino dos Céus”.

Deus nunca vai entrar por sua cabeça. A porta que Ele usa é o seu coração.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Olhei em seus olhos e perguntei - você sabe quando é que eu vou desistir de falar com você?

Você estava sentado, Me ajoelhei na sua frente e:

Olhei em seus olhos e perguntei - você sabe quando é que eu vou desistir de falar com você?

-nunca ele respondeu olhando nos meus olhos com um leve sorriso nos lábios.

-Pois é, respondi, então é melhor que conversemos logo pra acabar com toda essa angustia de uma vez.

-Quando você acabar o que está fazendo vamos La fora, precisamos conversar, você sorriu e fez um sinal de positivo estava confirmado iríamos conversar finalmente. Estava feliz muito feliz finalmente era chegado o momento tão esperado conversar com você.

Nesse momento eu acordei, não acredito, de novo estava sonhando? Não, não pode ser eu não posso ta sonhando droga, Eu preciso voltar a dormir tenho que dormir eu preciso encontrá-lo eu tenho que falar com ele, preciso voltar a dormir. E sem nem um sucesso tento desesperadamente voltar a dormir preciso falar com você. Nada, não consigo mais dormir mesmo ainda estando com sono fico rolando na cama, mas, não consigo. Mais uma vês, era apenas mais um sonho e mais uma vês não consegui falar o que eu queria. O que eu precisava ter falado e nunca falei não por falta de oportunidades, mas por falta de coragem mesmo, medo covardia sei La, o que sei mesmo é que hoje, a única coisa que me resta é essa sensação de que precisava muito falar com você e não consigo mais nem através de um sonho é sempre assim sempre acordo no exato momento.

E sempre resta a sensação de tristeza um imenso vazio e a saudade que aumenta a cada sonho e a triste realidade de que você se foi e a esperança é que um dia em algum lugar nos encontraremos e você saberá o que eu tinha a lhe dizer e eu ouvirei tudo que tem a me dizer.

Fazer o que? Acho que a única coisa que me resta agora é esperar e acreditar, ter fé mesmo, seguir em frente sabendo que Deus é justo e vai nos dar mais uma oportunidade em algum tempo e em algum lugar mesmo que seja em sonho ou de alguma outra maneira nos encontraremos.

ATÉ MAIS.

EDILZA LEANNDRO.

PARTES DO LIVRO SOMOS SERES ETERNOS.