quinta-feira, 7 de julho de 2011

A ÁRVORE E O AMOR


Uma árvore, imponente e magestosa tinha os seus galhos estendidos na direção do céu. Quando estava repleta de flores, as borboletas vinham em número quase infinito e dançavam em seu redor. Quando tinha frutos, pássaros vinham de longe e cantavam alegremente pousados em seus galhos. Seus galhos davam sempre sombra àqueles que se chegavam e sentavam debaixo dela, recebendo dela uma benção.

Um menino costumava brincar embaixo dela e a árvore criou uma grande afeição por ele. Com amor, a árvore curvava os seus galhos para que o menino pudesse colher os seus frutos. Ela ficava muito feliz em dar algo de si e todo o seu ser se preenchia de alegria e amor quando isso acontecia.

O menino foi crescendo e algumas vezes dormia junto à árvore, comia seus frutos ou fazia coroas de flores com as quais brincava de rei. O menino cresceu mais ainda e passou a subir nos galhos da árvore e se balançava neles. A árvore sempre se sentia muito feliz.

O tempo passou e o menino ficou ocupado com deveres e obrigações. Cresceu a sua ambição e tinha muitos amigos com quem ia passear e conversar. Por isso não ia mais ver a árvore. Mas ela sempre esperava por ele e chamava do fundo de sua alma: "Venha, estou esperando por você!".

Conforme ia crescendo, o menino vinha cada vez menos visitar a árvore.

Um dia, quando o menino estava passando, a árvore lhe disse: "Eu o espero todos os dias mas você não vem".

O menino, que tinha se transformado em um rapaz, disse: "O que você tem? Por que eu deveria vir? Estou a procura de dinheiro, você tem?"

A árvore ficou triste com aquilo e disse: "Só se eu lhe der algo você virá?" e disse mais: "Nós árvores não temos necessidade de dinheiro como vocês homens. Vocês tem de ir a templos para obter paz, para aprender a encontrar o amor. Flores e frutos crescem em nós, damos sombra, dançamos com a brisa e cantamos canções. Pássaros pousam em nossos galhos e cantam, mesmo que não tenhamos dinheiro."

O rapaz disse: "Então, porque devo vir até você? Preciso de dinheiro!"

A árvore pensou e disse: "Espere! Colha meus frutos e venda-os. Assim você terá dinheiro!"

O rapaz ficou radiante e subiu na árvore e colheu todos os frutos, mesmo os que estavam verdes. A árvore ficou feliz, mesmo com brotos e galhos quebrados e muitas folhas caídas ao chão. E ela nem notou que o rapaz foi embora nem ao menos olhou para trás para agradecê-la.

O rapaz não voltou por um longo tempo. Ganhou dinheiro e se preocupava em aumentar mais e mais a sua riqueza. Esqueceu-se completamente da árvore.

Os anos se passaram. A árvore ficou triste e ansiava pela volta do rapaz, como uma mãe que espera pelo filho.

O rapaz, após muitos anos e já adulto, foi até a árvore. "Venha, abrace-me!" disse a árvore. O homem então disse: "Pare com isso! É sentimentalismo de infância! Não sou mais criança!"

A árvore insistiu: "Venha! Brinque comigo, balance em meus galhos, dance!"

"Pare com essa conversa inútil! Eu preciso construir uma casa. Você pode me dar uma casa?" disse o homem.

A árvore respondeu: "Eu não tenho uma casa. Só os homens vivem em casas. Mas você pode cortar e levar os meus galhos, assim poderá construir sua casa."

Quase que imediatamente o homem conseguiu um machado e cortou todos os galhos da árvore. Agora, ela era apenas um tronco. O homem nem se preocupou em agradecer e foi construir sua casa.

Os anos se passaram. A árvore esperou. Queria chamar por ele mas sem galhos ou folhas isso não era possível. O vento soprava, mas ela não conseguia enviar nenhuma mensagem. Só em sua alma ressoava uma prece: "Venha querido, venha!"

O homem tornou-se velho. Certa vez ele parou ao lado da árvore. Ela perguntou: "Que mais posso fazer por você? Já faz tanto tempo que você não vem!"

O velho disse: "Quero viajar e preciso de um barco." A árvore disse alegremente: "Corte o meu tronco e faça um barco com ele. Ficarei muito feliz em ajudá-lo. Mas lembre-se que estarei sempre aqui lhe esperando."

O velho cortou o tronco e fez um barco. Com ele navegou para longe. Agora a árvore era um pequeno toco. Ela esperou pelo retorno do velho e isso nunca aconteceu.

Uma noite ela desabafou e disse para quem pudesse escutar: "O meu amigo não voltou. Estou preocupada. Ele pode ter naufragado ou se perdido. Pode ser que nem esteja vivo. Minha vida está próxima do fim e eu gostaria de ter notícias dele. Sei que ele não virá, mesmo que eu consiga chamá-lo. Nada me restou para dar e ele só entende a linguagem do receber."

quinta-feira, 30 de junho de 2011

O REI FALOU COMIGO



O REI FALOU COMIGO

Nasrudin retornou da capital imperial, os cidadãos do vilarejo juntaram-se a sua volta para ouvir o que tinha a dizer.

"Serei breve", disse o Mullá, "e concentrarei minhas observações sobre o ensejo na simples afirmação de que o meu maior momento foi quando o rei falou comigo."

Estupefatos diante de tal prodígio e inebriados pelos reflexos de tamanha glória, a maior parte dos cidadãos debandou e pôs-se a caminho, discutindo aquele maravilhoso acontecimento.

No entanto, o menos sofisticado de todos aqueles camponeses permaneceu por ali, e perguntou: "E o que disse Sua Majestade?"

"Estava do lado de fora do palácio, quando ele apareceu e falou comigo, em alto e bom som, para quem quisesse ouvir: 'Saia do meu caminho!'"

O simplório camponês deu-se por satisfeito. Agora, tinha escutado, com seus próprios ouvidos, as palavras que, de fato, foram proferidas por um rei.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

SER IMPARCIAL, AINDA É SEMPRE A MELHOR COISA. APRENDER A OUVIR SEMPRE.

Existem momentos na vida da gente que apesar de todo conhecimento religioso que temos e seja ele qualquer um que tenha como base o cristianismo somos cruéis , e não é raro nos envolvemos em situações que nos fazem cair Ex: aprendemos que não devemos em nem uma hipótese julgar quem quer que seja, pois não temos essa autoridade, ninguém nos deu . Mas fazemos isso com muita freqüência em muitos momentos de nossa caminhada, basta ter como um dos lados envolvidos na historia pessoas que, gostamos e pronto, é o suficiente para ter a certeza de que não existe outra verdade alem da que já conhecemos e nos colocamos como juízes impiedosos e num julgamento frio e cruel totalmente tendencioso condenamos a outra parte sem nem pensar em nos dar a oportunidade de tentar conhecer um outro lado de uma mesma historia.

É exatamente aí que o mal está se dando bem, e jamais saberíamos distinguir o bem e o mal o certo do errado se Deus através de seus mistérios não desse as oportunidades de fazer esses encontros entre as partes os dois lados de uma historia nos mostrando que a verdade não é uma, ou que ela existe pela metade.

Aprendi que por mais confiança que você tenha em um lado da história que lhe foi contada, terá sempre uma outra versão, e mesmo que ache que não, sempre vale apena conferir.

A VERDADA NÃO É MINHA E ELA NÃO SERÁ SEMPRE ÚNICA.

ENERGIA EM AÇÃO E DEUS NO CORAÇÃO E NAS AÇÕES.

EDILZA LEANNDRO.

domingo, 12 de junho de 2011

Amor e a porta do coração


Não adianta pedir explicações sobre Deus; você pode escutar palavras muito bonitas, mas, no fundo, são palavras vazias. Da mesma maneira que você pode ler toda uma enciclopédia sobre o amor, e não saber o que é amar.

Diz o mestre:

“Ninguém vai conseguir provar que Deus existe ou que não existe”.

Certas coisas na vida foram feitas para serem experimentadas – nunca explicadas.

O amor é uma destas coisas. Deus – que é amor – também é.

A fé é uma experiência infantil, naquele sentido mágico que Jesus nos ensinou: “é das crianças o Reino dos Céus”.

Deus nunca vai entrar por sua cabeça. A porta que Ele usa é o seu coração.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Olhei em seus olhos e perguntei - você sabe quando é que eu vou desistir de falar com você?

Você estava sentado, Me ajoelhei na sua frente e:

Olhei em seus olhos e perguntei - você sabe quando é que eu vou desistir de falar com você?

-nunca ele respondeu olhando nos meus olhos com um leve sorriso nos lábios.

-Pois é, respondi, então é melhor que conversemos logo pra acabar com toda essa angustia de uma vez.

-Quando você acabar o que está fazendo vamos La fora, precisamos conversar, você sorriu e fez um sinal de positivo estava confirmado iríamos conversar finalmente. Estava feliz muito feliz finalmente era chegado o momento tão esperado conversar com você.

Nesse momento eu acordei, não acredito, de novo estava sonhando? Não, não pode ser eu não posso ta sonhando droga, Eu preciso voltar a dormir tenho que dormir eu preciso encontrá-lo eu tenho que falar com ele, preciso voltar a dormir. E sem nem um sucesso tento desesperadamente voltar a dormir preciso falar com você. Nada, não consigo mais dormir mesmo ainda estando com sono fico rolando na cama, mas, não consigo. Mais uma vês, era apenas mais um sonho e mais uma vês não consegui falar o que eu queria. O que eu precisava ter falado e nunca falei não por falta de oportunidades, mas por falta de coragem mesmo, medo covardia sei La, o que sei mesmo é que hoje, a única coisa que me resta é essa sensação de que precisava muito falar com você e não consigo mais nem através de um sonho é sempre assim sempre acordo no exato momento.

E sempre resta a sensação de tristeza um imenso vazio e a saudade que aumenta a cada sonho e a triste realidade de que você se foi e a esperança é que um dia em algum lugar nos encontraremos e você saberá o que eu tinha a lhe dizer e eu ouvirei tudo que tem a me dizer.

Fazer o que? Acho que a única coisa que me resta agora é esperar e acreditar, ter fé mesmo, seguir em frente sabendo que Deus é justo e vai nos dar mais uma oportunidade em algum tempo e em algum lugar mesmo que seja em sonho ou de alguma outra maneira nos encontraremos.

ATÉ MAIS.

EDILZA LEANNDRO.

PARTES DO LIVRO SOMOS SERES ETERNOS.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Somos alguns bilhões de pessoas em todo planeta terra.


Somos alguns bilhões de pessoas em todo planeta terra.

E o que mais chama atenção ou a impressão que temos é que:

Estamos sozinhos, abandonados.

Fechamo-nos dentro de nosso mundinho sem sentido, cheios de egoísmo, e arranjamos desculpas para justificar a nossa intolerância com nossos semelhantes; o medo, a desconfiança, os defeitos alheios como se fossemos seres perfeitos, falta de tempo, preconceito etc.

E assim vai, cada um tem a sua, uma mais esfarrapada que a outra e olha que em arranjar desculpas somos mestres.

E para suprir nossas carências fazemos de tudo.

Uns se enfiam no trabalho e ocupam-se em tempo integral jurando que o vazio será preenchido quando o reconhecimento chegar e na maioria das vezes é lógico o reconhecimento é mais de que justificado, mas, com quem dividir a alegria?

Fracasso no lado emocional.

E há quem busque no dinheiro uma forma de não sentir o abandono e pensam que com dinheiro compram as amizades,necessária para compartilhar, triste ilusão. Amizade verdadeira se conquista e isso não tem preço.

Mas se quer oportunistas por perto, parabéns é o caminho.

A religião, um cargo de destaque, aí segue grupos de alto ajuda, psicólogos, e por fim um bom psiquiatra a loucura a desilusão lhe invade a alma e com ela a descrença nas pessoas, na religião, em Deus e por fim no seu universo cheinho de ouro de tolo. O desespero depressão, síndrome do pânico, síndromes e mais síndromes e tantas outras doenças que aos poucos vai nos matando. Mal do século? Será?

Quem? Ou o que está errado?

EU? SERÁ MESMO?

Enquanto buscarmos a felicidade de fora para dentro em alguém ou em algo, enquanto ouvirmos um só lado da historia, Enquanto arranjarmos sempre as mesmas desculpas e achar que o culpado for sempre o outro enquanto buscarmos Deus no céu estaremos realmente vivendo em nosso inferno particular.

Ou ele está em mim em minha vida, em cada parte minha, em meus pensamentos em minhas ações e em meu amor ou ele se desfará da minha vida, ou melhor, do meu vocabulário com o tempo. Mas, se Deus está em mim está também em você é por isso que se fala com que a união faz a força e é nessas horas que nos emocionamos e vemos o poder e o amor de Deus se manifestar grandemente nos momentos de solidariedade em grandes desastres sejam eles naturais ou de qualquer outra ordem deve ser o medo da morte que os seres vivos têm naturalmente, mas ninguém pode negar que se fizéssemos ou se praticássemos essa união dos seres conhecerimos mais de perto todo amor e a felicidade plena.

Mas a saga do ser humano no planeta terra é descer cada dia mais arraigados a coisinhas, cercados de tudo e todos que precisa para viver ser feliz e em harmonia com o seu semelhante, com universo e com o próprio Deus.

Mas a cegueira. Do orgulho da intolerância da santa ignorância não nos permite enxergar que para viver e ser feliz não precisamos de muito.

APENAS UNS DOS OUTROS.

Edilza Leanndro.

terça-feira, 24 de maio de 2011

"Dois Lados" ou a crença no que vemos ou queremos ver...


Os mantos coloridos dos dervixes, desenhados com propósito de ensino e as vezes imitados como mera decoração, foram introduzidos na Espanha, na idade média, da seguinte forma: um rei cristão que gostava de desfiles pomposos e também se orgtulhava de seu saber filosófico, pediu a um sufi, conhecido como El-Agarin, que o iniciasse em sua ciência.

- Nós lhe oferecemos observação e reflexão - disse-lhe El-Agarin. - Mas antes deve aprender toda a extensão do seu significado.

- Já sabemos como prestar atenção. Temos estudado bastante, através de nossa tradfição, todos os passos preliminares para chegar ao conhecimento - disse o rei.

- Muito bem - respondeu El-Agarin. - Durante o desfile de amanhã daremos uma demonstração de nosso ensinamento para Vossa Majestade.

Fizeram-se os preparativos, e no dia seguinte os dervixes do "ribat" (centro de ensino) de El-Agarin desfilaram pelas ruas estreitas da cidade andaluza. O rei e seus cortesãos estavam postados em ambos os lados do trajeto: os nobres à direita, os cavaleiros à esquerda.

Quando a procissão terminou El-Agarin se dirigiu ao rei e disse:

- Por favor, majestade, pergunte aos fidalgos do lado esquerdo de que cor era o manto dos dervixes.

Todos os cavaleiros juraram pelas escrituras e por sua honra que as vestimentas eram azuis.

O rei e os nobres se mostraram surpresos e confusos. Aquela não era, de modo algum, a cor que tinham visto.

- Todos nós vimos perfeitamente que usavam mantos castanhos - disse o rei. - E entre nós há homens muito respeitados, homens de grande santidade e fé.

O rei ordenou então que todos os cavaleiros se preparassem para ser castigados e degradados. Os que tinham visto os mantos castanhos foram separados: seriam premiados. O processo durou algum tempo, findo o qual o rei disse a El-Agarin:

- Que feitiçaria você fez, homem malvado? Que atos do demônio são os seus que podem fazer com que os fidalgos mais honrados do cristianismo neguem a verdade, abandonem suas esperanças e traiam nossa confiança, ficando incpacitados para a batalha?

- Na metade visível do lado em que estávamos - disse o sufi - os mantos eram de cor castanha. Na outra metade eram de cor azul. Sem preparação, sua predisposição o induz a enganar-se a si mesmo e a interpretar-nos mal. Como podemos ensinar a alguém nestas circunstâncias.


("Dois Lados" - Histórias da Tradição Sufi - Rio de Janeiro - 1993 - Edições Dervish, página 197.)